SIMULADO COMENTADO – FUVEST

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1. (Fuvest) Do ponto de vista tectônico, núcleos rochosos mais antigos, em áreas continentais mais interiorizadas, tendem a ser os mais estáveis, ou seja, menos sujeitos a abalos sísmicos e deformações. Em termos geomorfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz com que elas apresentem uma forte tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de;

a) aplainamento das formas de relevo, decorrente do intemperismo e da erosão.
b) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos.
c) formação de canyons, decorrente de intensa erosão eólica.
d) produção de desníveis topográficos acentuados, resultante da contínua sedimentação dos rios.
e) geração de relevo serrano, associada a fatores climáticos ligados à glaciação.

2. (Fuvest) Em se tratando de commodities, o Brasil tem papel relevante no mercado mundial, graças à exportação de minérios. Destacam-se os minérios de ferro e de manganês, bases para a produção de aço, e a bauxita, da qual deriva o alumínio.
A relação entre minério e sua localização no território brasileiro está corretamente expressa em:

3. (Fuvest) Um viajante saiu de Araripe, no Ceará, percorreu, inicialmente, 1000 km para o sul, depois 1000 km para o oeste e, por fim, mais 750 km para o sul.

Com base nesse trajeto e no mapa acima, pode-se afirmar que, durante seu percurso, o viajante passou pelos estados do Ceará,

a) Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, tendo visitado os ecossistemas  da Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal. Encerrou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São  Paulo.
b) Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, tendo visitado os ecossistemas  da Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 750 km da cidade de São  Paulo.
c) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da  Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal. Encerrou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São  Paulo.
d) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da  Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 750 km da cidade de São  Paulo.
e) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da  Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São  Paulo.

4. (Fuvest) No mapa atual do Brasil, reproduzido abaixo, foram indicadas as rotas percorridas por algumas bandeiras paulistas no século XVII.

Nas rotas indicadas no mapa, os bandeirantes;

 a) mantinham-se, desde a partida e durante o trajeto, em áreas não florestais. No percurso, enfrentavam períodos de seca, alternados com outros de chuva intensa.
b) mantinham-se, desde a partida e durante o trajeto, em ambientes de florestas densas. No percurso, enfrentavam chuva frequente e muito abundante o ano todo.
c) deixavam ambientes florestais, adentrando áreas de campos. No percurso, enfrentavam períodos muito longos de seca, com chuvas apenas ocasionais.
d) deixavam ambientes de florestas densas, adentrando áreas de campos e matas mais esparsas. No percurso, enfrentavam períodos de seca, alternados com outros de chuva intensa.
e) deixavam áreas de matas mais esparsas, adentrando ambientes de florestas densas. No percurso, enfrentavam períodos muito longos de chuva, com seca apenas ocasional.

5. (Fuvest) Doenças tropicais surgem graças a um conjunto de fatores biológicos, ecológicos e evolutivos que condicionam a sua ocorrência exclusivamente nas proximidades do Equador, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio. Porém, a perpetuação das doenças tropicais em países aí situados depende, fundamentalmente, da precária situação econômica vigente e é consequência direta do subdesenvolvimento.

E. P. Camargo, Doenças tropicais, 2008. Adaptado.

Com base no mapa e em seus conhecimentos, indique a afirmação correta.

a) O recente desenvolvimento econômico alcançado pela Índia e pela Indonésia favoreceu a  erradicação da malária desses países, apesar da tropicalidade.
b) O clima tropical, quente e úmido, permite a rápida proliferação da malária em países como Peru,  Chile e Colômbia.
c) A concentração da malária, no Nordeste do Brasil, deve-se à precariedade do saneamento básico  na região semiárida.
d) Na África subsaariana, nota-se alta concentração da malária, fruto da tropicalidade e da miséria  que assola a região.
e) Na Amazônia brasileira, a morte por malária foi erradicada, fruto de consecutivas campanhas de  vacinação.

6. (Fuvest) Ainda no começo do século 20, Euclides da Cunha, em pequeno estudo, discorria sobre os meios de sujeição dos trabalhadores nos seringais da Amazônia, no chamado regime de peonagem, a escravidão por dívida. Algo próximo do que foi constatado em São Paulo nestes dias [agosto de 2011] envolvendo duas oficinas terceirizadas de produção de vestuário.

José de Souza Martins, 2011. Adaptado.

No texto acima, o autor faz menção à presença de regime de trabalho análogo à escravidão, na indústria de bens;

a) de consumo não duráveis, com a contratação de imigrantes asiáticos, destacando-se coreanos e chineses.
b) de consumo duráveis, com a superexploração, por meio de empresas de pequeno porte, de imigrantes chilenos e bolivianos.
c) intermediários, com a contratação prioritária de imigrantes asiáticos, destacando-se coreanos e chineses.
d) de consumo não duráveis, com a superexploração, principalmente, de imigrantes bolivianos e peruanos.
e) de produção, com a contratação majoritária, por meio de empresas de médio porte, de imigrantes peruanos e colombianos.

PLATAFORMA DE HUMANAS

GABARITAGEO

7. (Fuvest) O rico patrimônio histórico-arquitetônico da cidade de São Luiz do Paraitinga, parcialmente destruído pelas chuvas no início de 2010, associa-se a um fausto vivido pelo Vale do Paraíba, no passado, entre final do século XIX e início do século XX, proporcionado pela cultura do café.

Considere as seguintes afirmações sobre o Vale do Paraíba, no estado de São Paulo.

I. A pecuária leiteira, que se desenvolveu no Vale, a partir da crise do café, é, ainda hoje, uma atividade econômica praticada na região.
II. Essa região abriga as maiores hidrelétricas do Estado, responsáveis pelo fornecimento de energia para a Região Metropolitana de São Paulo.
III. O relevo de Mares de Morros marca a paisagem dessa região, estendendo-se, também, para outros estados brasileiros.
IV. A industrialização dessa região foi favorecida por sua localização, entre as duas maiores cidades brasileiras, bem como por sua acessibilidade rodoviária.

Está correto o que se afirma em;

a) I, II e III, apenas.
b) I e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

8. (Fuvest) Considere os mapas.

Com base no mapa e em seus conhecimentos, é correto afirmar que, tendo em vista as dinâmicas espaciais na cidade de São Paulo, os hotéis;

a) acompanharam o desenvolvimento, na cidade, de novas áreas de centralidade.
b) expandiram-se para o sudeste da cidade, devido ao desenvolvimento do setor primário.
c) deslocaram-se em direção às avenidas marginais, acompanhando o processo de conurbação.
d) migraram em direção à região sudoeste, em função do despovoamento do centro histórico.
e) foram atraídos para a periferia, devido à descentralização das indústrias paulistanas.

9. (Fuvest) Logo após a entrada de milhares de imigrantes norte-africanos na Itália, em abril deste ano, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, fizeram as seguintes declarações a respeito de um consenso entre países da União Europeia (UE) e associados.

Queremos mantê-lo vivo, mas para isso é preciso reformá-lo.
Nicolas Sarkozy.

Não queremos colocá-lo em causa, mas em situações excepcionais acreditamos que é preciso fazer alterações, sobre as quais decidimos trabalhar em conjunto.
Silvio Berlusconi.

http://pt.euronews.net. Acesso em julho/2011. Adaptado.

Sarkozy e Berlusconi encaminharam pedido à UE, solicitando a revisão do;

a) Tratado de Maastricht, o qual concede anistia aos imigrantes ilegais radicados em países europeus há mais de 5 anos.
b) Acordo de Schengen, segundo o qual Itália e França devem formular políticas sociais de natureza bilateral.
c) Tratado de Maastricht, que implementou a União Econômica Monetária e a moeda única em todos os países da UE.
d) Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e suprimiu os controles alfandegários nas fronteiras internas.
e) Acordo de Schengen, pelo qual se assegura a livre circulação de pessoas pelos países signatários desse acordo.

10. (Fuvest) A economia da Índia tem crescido em torno de 8% ao ano, taxa que, se mantida, poderá dobrar a riqueza do país em uma década. Empresas indianas estão superando suas rivais ocidentais. Profissionais indianos estão voltando do estrangeiro para seu país, vendo uma grande chance de sucesso empresarial.

Beckett et al., 2007. Em http://www.wsj-asia.com/pdf. Acessado em junho/2011. Adaptado.

O significativo crescimento econômico da Índia, nos últimos anos, apoiou-se em vantagens competitivas, como a existência de;

a) diversas zonas de livre-comércio distribuídas pelo território nacional.
b) expressiva mão de obra qualificada e não qualificada.
c) extenso e moderno parque industrial de bens de capital, no noroeste do país.
d) importantes “cinturões” agrícolas, com intenso uso de tecnologia, produtores de commodities.
e) plena autonomia energética propiciada por hidrelétricas de grande porte.

11. (Fuvest) Os indígenas foram também utilizados em determinados momentos, e sobretudo na fase inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia colocar problema nenhum de maior ou melhor “aptidão” ao trabalho escravo (…). O que talvez tenha importado é a rarefação demográfica dos aborígines, e as dificuldades de seu apresamento, transporte, etc. Mas na “preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a engrenagem do sistema mercantilista de colonização; esta se processa num sistema de relações tendentes a promover a acumulação primitiva de capitais na metrópole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o abastecimento das colônias com escravos, abria um novo e importante setor do comércio colonial, enquanto o apresamento dos indígenas era um negócio interno da colônia. Assim, os ganhos comerciais resultantes da preação dos aborígines mantinham-se na colônia, com os colonos empenhados nesse “gênero de vida”; a acumulação gerada no comércio de africanos, entretanto, fluía para a metrópole; realizavam-na os mercadores metropolitanos, engajados no abastecimento dessa “mercadoria”. Esse talvez seja o segredo da melhor “adaptação” do negro à lavoura … escravista. Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário.

Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adaptado.

Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa,

a) os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do que os de origem africana, e por isso a metrópole optou pelo uso dos primeiros, já que eram mais produtivos e mais rentáveis.
b) os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro dos canaviais do que os indígenas, o que justificava o empenho de comerciantes metropolitanos em gastar mais para a obtenção, na África, daqueles trabalhadores.
c) o comércio negreiro só pôde prosperar porque alguns mercadores metropolitanos preocupavam-se com as condições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto que outros os consideravam uma “mercadoria”.
d) a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de obra indígena contribuiu decisivamente para que, a partir de certo momento, também escravos africanos fossem empregados na lavoura, o que resultou em um lucrativo comércio de pessoas.
e) o principal motivo da adoção da mão de obra de origem africana era o fato de que esta precisava ser transportada de outro continente, o que implicava a abertura de um rentável comércio para a metrópole, que se articulava perfeitamente às estruturas do sistema de colonização.

12. (Fuvest) Examine a seguinte tabela:

Ano Nº de escravos que entraram no Brasil;

Dados extraídos de Emília Viotti da Costa. Da senzala à colônia. São Paulo: Unesp, 1998.

A tabela apresenta dados que podem ser explicados;

a) pela lei de 1831, que reduziu os impostos sobre os escravos importados da África para o Brasil.
b) pelo descontentamento dos grandes proprietários de terras em meio ao auge da campanha abolicionista no Brasil.
c) pela renovação, em 1844, do Tratado de 1826 com a Inglaterra, que abriu nova rota de tráfico de escravos entre Brasil e Moçambique.
d) pelo aumento da demanda por escravos no Brasil, em função da expansão cafeeira, a despeito da promulgação da Lei Aberdeen, em 1845.
e) pela aplicação da Lei Eusébio de Queirós, que ampliou a entrada de escravos no Brasil e tributou o tráfico interno.

13. (Fuvest) Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (…) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.

Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado.

Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos;

a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano-americana.
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.

14. (Fuvest) Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cruzadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava agora nas plagas africanas…

Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2º Semestre de 2009, p.16-17. Adaptado.

Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento;

a) puramente religioso, bem diferente das cruzadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana.
b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa.
c) por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis.
d) militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento apenas ocasional.
e) que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental, a despeito de, oficialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a expansão da fé cristã.

15. (Fuvest) O Estado de compromisso, expressão do reajuste nas relações internas das classes dominantes, corresponde, por outro lado, a uma nova forma do Estado, que se caracteriza pela maior centralização, o intervencionismo ampliado e não restrito apenas à área do café, o estabelecimento de uma certa racionalização no uso de algumas fontes fundamentais de riqueza pelo capitalismo internacional (…).

Boris Fausto. A revolução de 1930. Historiografia e história. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 109-110.

Segundo o texto, o Estado de compromisso correspondeu, no Brasil do período posterior a 1930,

a) à retomada do comando político pela elite cafeicultora do sudeste brasileiro.
b) ao primeiro momento de intervenção governamental na economia brasileira.
c) à reorientação da política econômica, com maior presença do Estado na economia.
d) ao esforço de eliminar os problemas sociais internos gerados pelo capitalismo internacional.
e) à ampla democratização nas relações políticas, trabalhistas e sociais.

16. (Fuvest) Há cerca de 2000 anos, os sítios superficiais e sem cerâmica dos caçadores antigos foram substituídos por conjuntos que evidenciam uma forte mudança na tecnologia e nos hábitos. Ao mesmo tempo que aparecem a cerâmica chamada itararé (no Paraná) ou taquara (no Rio Grande do Sul) e o consumo de vegetais cultivados, encontram-se novas estruturas de habitações.

André Prous. O Brasil antes dos brasileiros. A pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 49. Adaptado.

O texto associa o desenvolvimento da agricultura com o da cerâmica entre os habitantes do atual território do Brasil, há 2000 anos. Isso se deve ao fato de que a agricultura;

a) favoreceu a ampliação das trocas comerciais com povos andinos, que dominavam as técnicas de produção de cerâmica e as transmitiram aos povos guarani.
b) possibilitou que os povos que a praticavam se tornassem sedentários e pudessem armazenar alimentos, criando a necessidade de fabricação de recipientes para guardá-los.
c) proliferou, sobretudo, entre os povos dos sambaquis, que conciliaram a produção de objetos de cerâmica com a utilização de conchas e ossos na elaboração de armas e ferramentas.
d) difundiu-se, originalmente, na ilha de Fernando de Noronha, região de caça e coleta restritas, o que forçava as populações locais a desenvolver o cultivo de alimentos.
e) era praticada, prioritariamente, por grupos que viviam nas áreas litorâneas e que estavam, portanto, mais sujeitos a influências culturais de povos residentes fora da América.

17. (Fuvest) O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira [30/5] que o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello foi apenas um “acidente” na história do Brasil. Sarney minimizou o episódio em que Collor, que atualmente é senador, teve seus direitos políticos cassados pelo Congresso Nacional. “Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil”, disse o presidente do Senado.

Correio Braziliense, 30/05/2011.

Sobre o “episódio” mencionado na notícia acima, pode-se dizer acertadamente que foi um acontecimento;

a) de grande impacto na história recente do Brasil e teve efeitos negativos na trajetória política de Fernando Collor, o que faz com que seus atuais aliados se empenhem em desmerecer este episódio, tentando diminuir a importância que realmente teve.
b) nebuloso e pouco estudado pelos historiadores, que, em sua maioria, trataram de censurá-lo, impedindo uma justa e equilibrada compreensão dos fatos que o envolvem.
c) acidental, na medida em que o impeachment de Fernando Collor foi considerado ilegal pelo Supremo Tribunal Federal, o que, aliás, possibilitou seu posterior retorno à cena política nacional, agora como senador.
d) menor na história política recente do Brasil, o que permite tomar a censura em torno dele, promovida oficialmente pelo Senado Federal, como um episódio ainda menos significativo.
e) indesejado pela imensa maioria dos brasileiros, o que provocou uma onda de comoção popular e permitiu o retorno triunfal de Fernando Collor à cena política, sendo candidato conduzido por mais duas vezes ao segundo turno das eleições presidenciais.

18. (Fuvest) No início de 1969, a situação política se modifica. A repressão endurece e leva à retração do movimento de massas. As primeiras greves, de Osasco e Contagem, têm seus dirigentes perseguidos e são suspensas. O movimento estudantil reflui. A oposição liberal está amordaçada pela censura à imprensa e pela cassação de mandatos.

Apolônio de Carvalho. Vale a pena sonhar. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 202.

O testemunho, dado por um participante da resistência à ditadura militar brasileira, sintetiza o panorama político dos últimos anos da década de 1960, marcados,

a) pela adesão total dos grupos oposicionistas à luta armada e pela subordinação dos sindicatos e centrais operárias aos partidos de extrema esquerda.
b) pelo bipartidarismo implantado por meio do Ato Institucional nº 2, que eliminou toda forma de oposição institucional ao regime militar.
c) pela desmobilização do movimento estudantil, que foi bastante combativo nos anos imediatamente posteriores ao golpe de 64, mas depois passou a defender o regime.
d) pelo apoio da maioria das organizações da sociedade civil ao governo militar, empenhadas em combater a subversão e afastar, do Brasil, o perigo comunista.
e) pela decretação do Ato Institucional nº 5, que limitou drasticamente a liberdade de expressão e instituiu medidas que ampliaram a repressão aos opositores do regime.

19. (Fuvest) A palavra “feudalismo” carrega consigo vários sentidos. Dentre eles, podem-se apontar aqueles ligados a

a) sociedades marcadas por dependências mútuas e assimétricas entre senhores e vassalos.
b) relações de parentesco determinadas pelo local de nascimento, sobretudo quando urbano.
c) regimes inteiramente dominados pela fé religiosa, seja ela cristã ou muçulmana.
d) altas concentrações fundiárias e capitalistas.
e) formas de economias de subsistência pré-agrícolas.

20. (Fuvest) As cidades [do Mediterrâneo antigo] se formaram, opondo-se ao internacionalismo praticado pelas antigas aristocracias. Elas se fecharam e criaram uma identidade própria, que lhes dava força e significado.

Norberto Luiz Guarinello, A cidade na Antiguidade Clássica. São Paulo: Atual, p.20, 2006. Adaptado.

As cidades-estados gregas da Antiguidade Clássica podem ser caracterizadas pela,

a) autossuficiência econômica e igualdade de direitos políticos entre seus habitantes.
b) disciplina militar imposta a todas as crianças durante sua formação escolar.
c) ocupação de territórios herdados de ancestrais e definição de leis e moeda próprias.
d) concentração populacional em núcleos urbanos e isolamento em relação aos grupos que habitavam o meio rural.
e) submissão da sociedade às decisões dos governantes e adoção de modelos democráticos de organização política.

Gabarito

Resposta da questão 1:
[A]

Os crátons que abrigam escudos cristalinos são tectonicamente estáveis e, aos poucos, são aplainados pela ação do intemperismo e da erosão.

Resposta da questão 2:
[D]

O Maciço do Urucum, localizado no Pantanal Mato-grossense, é um complexo rochoso metamórfico arqueo-proterozoico rico em minério de ferro e manganês.

A alternativa [A] é falsa. O Quadrilátero Ferrífero fica em Minas Gerais.
Na alternativa [B] a Serra dos Carajás fica no sudeste do Pará.
Em [C] o Vale do rio Trombetas fica entre os estados do Pará e do Amazonas.
Em [E] o Vale do Aço fica em Minas Gerais.

Resposta da questão 3:
[E]

Escala aproximada do mapa, expressa graficamente:
1 —– 500 km

Deslocamento de 1000 km para o sul:

1 —– 500 x = 1000/500 = 2 cm (4 unidades)
x —– 1000

Deslocamento de 1000 km para o oeste.
Mesmo raciocínio acima.

Deslocamento de 750 para o sul:
1 —– 500 x = 750/500 = 1,5 cm (3 unidades)
x —- 750

O deslocamento proposto possibilitou atravessar os estados de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, cortando respectivamente os domínios naturais de Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, encerrando o deslocamento a 250 km (1 unidade) de São Paulo.

Resposta da questão 4:
[D]

Na época das bandeiras, o ponto de partida era o estado de São Paulo (Mata Atlântica/Floresta Tropical). De São Paulo eles se deslocavam para Minas Gerais (Floresta Tropical e Cerrado), Goiás (Cerrado) e Mato Grosso (Cerrado e Floresta Amazônica). Assim sendo:
[A] Falsa: afirma que desde a partida do trajeto era feito em áreas não florestadas.
[B] Falsa: afirma que todo o trajeto era feito em ambientes de florestas densas.
[C] Falsa: caracteriza o clima semiárido não percorrido pelos bandeirantes.
[E] Falsa: eles saiam da Mata Atlântica e não de matas mais esparsas.

Resposta da questão 5:
[D]

A faixa intertropical do globo reúne condições de calor e umidade especiais que associadas aos baixos padrões socioeconômicos favorecem a proliferação de mosquitos, vetores naturais de doenças tropicais. A malária na África subsaariana é favorecida pela tropicalidade e miséria crônica.

A alternativa [A] é falsa, a Índia, principalmente, e a Indonésia ainda não alcançaram grau de desenvolvimento que pudesse erradicar a malária.
A alternativa [B] é falsa, o Chile é um país localizado na faixa de clima temperado.
A alternativa [C] é falsa, a região Nordeste do Brasil tem clima tropical semiárido, com baixa umidade.
A alternativa [E] é falsa, a malária ainda está presente na Amazônia apesar de campanhas de vacinação devido a vários aspectos com sua enorme extensão territorial.

Resposta da questão 6:
[D]

Atualmente, as oficinas de costura, localizadas na região central da cidade de São Paulo, têm recorrido à mão de obra que imigrou clandestinamente, constituída por trabalhadores bolivianos e peruanos; devido à ilegalidade e não terem direitos trabalhistas, são sujeitos a condições de superexploração (baixos salários e ausência de benefícios sociais).

Resposta da questão 7:
[C]

O Vale do Paraíba do Sul abrigou no século XIX várias cidades que viviam da comercialização do café o que possibilitou uma acumulação importante, que se repercute na sua suntuosa arquitetura, sinal de um tempo de riqueza. As chuvas excepcionais do verão 2009/2010 afetaram a cidade de São Luis do Paraitinga, uma das mais emblemáticas da fase do café.
A frase II é falsa, as grandes usinas hidroelétricas de São Paulo estão no médio e baixo curso dos rios Tietê, Paranapanema e Grande na porção centro-oeste do estado.

Resposta da questão 8:
[A]

Ao longo de 30 anos, a intensificação do fluxo de turistas e de eventos e feiras de negócios em São Paulo promoveu uma nova concentração de hotéis nas proximidades do aeroporto de Congonhas e de regiões da zona sul tidas como nobre e/ou novos centros comerciais/empresariais.

Resposta da questão 9:
[E]

A União Europeia recebeu sua denominação oficial em 1992 com a assinatura do Tratado de Maastricht que, entre outras determinações, estabelecia a existência de uma cidadania europeia e a unificação monetária. Em outubro de 1997, foi institucionalizado, em escala europeia, o Tratado de Schengen, criado em 1985, e que permite a livre circulação de cidadãos comunitários pelos países signatários. Todavia, em 2011, após desentendimentos entre os governos italiano e francês devido à imigração de africanos para a Itália, os governos europeus pensaram em retomar o controle temporário das fronteiras internas em situações “excepcionais”.

Resposta da questão 10:
[B]

Como o país tem mais de um bilhão de habitantes, embora a grande maioria da população indiana viva em condições muito precárias, há um grande número de pessoas com elevada qualificação profissional e um contingente ainda maior de trabalhadores sem qualificação que constituem um verdadeiro exército de mão de obra barata para as indústrias que utilizam muitos empregados na produção.

Resposta da questão 11:
[E]

Questão de interpretação de texto, pois o autor deixa claro e explicito que o tráfico negreiro é parte do sistema mercantilista e responsável por promover acúmulo de capitais na metrópole. Para o autor “é a partir do tráfico negreiro que se pode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário”. Vale a pena lembrar que o processo de colonização denominado como de “exploração” baseia-se no monopólio e nas práticas mercantilistas, preocupadas em gerar riquezas para a metrópole.

Resposta da questão 12:
[D]

A Lei de 1831 na regência de Feijó obrigava o Brasil a extinguir o tráfico negreiro e não foi cumprida. A campanha abolicionista teve importância no país após a Guerra do Paraguai, nos anos 70 e 80. No ano de 1844 o Brasil editou a Tarifa Alves Branco, protecionista, que determinou protestos e pressões inglesas, inclusive com a promulgação, no ano seguinte, da Lei Aberdeen, que autorizava a marinha inglesa a aprisionar navios que fizessem o tráfico internacional. Apesar dessa pressão, o tráfico foi ampliado dado à necessidade de mão de obra para a lavoura cafeeira em expansão no oeste paulista. Vale lembrar que nesta época o governo brasileiro passou a estudar possibilidades de trazer imigrantes europeus e foi feita a primeira experiência com trabalhadores italianos pelo Senador Vergueiro.

Resposta da questão 13:
[C]

A grande presença de produtos ingleses no Brasil foi fruto da Abertura dos Portos às nações amigas de 1808 e dos Tratados de 1810. Primeiro cabe lembrar que já existiam produtos ingleses aqui, antes de 1808, porém em pequena quantidade, pois ainda havia na prática o pacto colonial. Segundo, os Tratados de 1810 favoreceram principalmente às importações para a Inglaterra e não estão relacionados aos produtos exportados, nem pelo Brasil, nem pelas colônias da Espanha.

Resposta da questão 14:
[B]

Interpretação de texto associado ao conhecimento histórico. O texto deixa claro que “apesar do caráter cruzadista” – portanto religioso, de luta contra os muçulmanos – os interesses comerciais não estavam ausentes e reforça essa ideia como uma frase proferida pelo rei de Portugal. É comum os livros se referirem à expansão portuguesa como “expansão marítimo comercial” na qual se destacam diversos interesses ligados à nobreza e à Igreja, ao Estado e à burguesia mercantil.

Resposta da questão 15:
[C]

A resposta pode ser obtida pela leitura atenta do texto e sua interpretação, pois está explícito que o Estado e mais centralizado e sua intervenção ampliada. O conhecimento histórico sobre o período também é importante, pois após 1930 tivemos o fim da República das Oligarquias e dos privilégios do café e o início da “Era Vargas”, com uma política nacionalista e de conciliação de classes, tanto caracterizada por uma política própria para novas e velhas elites, como de cooptação da classe trabalhadora.

Resposta da questão 16:
[B]

A resposta cabe a todos os povos no período neolítico, entendido não por sua datação, mas pelas mudanças na forma de organização humana. Nesse período grupos humanos aprenderam a domesticar plantas e animais, determinante para a sedentarização. Muitos denominam esse processo de Revolução Agrícola e de Revolução Urbana, respectivamente. A produção de cerâmica permitiu o armazenamento de parte da produção agrícola, ainda voltada para o consumo das próprias comunidades.

Resposta da questão 17:
[A]

O impeachment de Collor é considerado muito significativo na história recente do país. Em 1992, em meio a denúncias de corrupção, eclodiu um grande movimento social, que envolveu segmentos diferentes, nos quais se destacaram os estudantes, que pintaram os rostos de preto nas grandes manifestações de rua em apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e à condenação do Presidente. Apeado do poder, Collor teve seus direito políticos cassados por oito anos e dessa forma foi forçado a deixar a vida política. Seu retorno deu-se com a eleição para o Senado em 2006 e, filiado ao PTB, levou-o a aproximar do governo Lula e dos demais aliados deste, como o ex-presidente José Sarney.

Resposta da questão 18:
[E]

Poucos grupos políticos, mesmo de esquerda, fizeram a opção pela luta armada, que teve pequena expressão no país, principalmente se comparada com outras nações da América Latina. O bipartidarismo permitiu a existência de um partido de oposição.
O movimento estudantil foi desmobilizado, mas nunca apoiou o regime militar.
O endurecimento do regime iniciou-se em dezembro de 1968 com a decretação do Ato Institucional Nº. 5 (AI-5) que centralizou ainda mais o poder a abriu caminho para uma política de maior repressão à sociedade civil.

Resposta da questão 19:
[A]

O termo feudalismo designa um sistema complexo, de relações sociais variadas envolvendo duas camadas sociais ou internas à mesma classe. Em seu interior se desenvolveu a relação de suserania e vassalagem, que envolvia nobres – portanto membros de uma mesma camada social – em situações distintas, sendo considerado suserano aquele que concedia um benefício e era considerado vassalo, aquele que recebia o benefício e passava ter certas obrigações para com suserano, que caracterizará a ideia de assimétrica na relação, no entanto vale ressaltar que são elementos da mesma classe e é INCORRETA a ideia de que vassalos são servos. Como são indivíduos que pertencem à mesma classe, essa relação é considerada horizontal.

Resposta da questão 20:
[C]

Ao contrário de povos mesopotâmicos ou de persas, os gregos tenderam a se organizar de maneira particular, em cidades-estado, caracterizadas pela soberania, ou seja, por uma estruturação política independente, apesar de manterem relações econômicas e possuírem laços culturais comuns, como a “mitologia” ou a realização dos jogos olímpicos. A origem das cidades é normalmente associada à desagregação dos antigos “Genos”, comunidades de origem familiar.