10 Questões sobre Machado de Assis

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Questões sobre Machado de Assis

1) (UNICAMP- 2017) O romance Memórias póstumas de Brás Cubas é considerado um divisor de águas tanto na obra de Machado de Assis quanto na literatura brasileira do século XIX. Indique a alternativa em que todas as características mencionadas podem ser adequadamente atribuídas ao romance em questão.

a) Rejeição dos valores românticos, narrativa linear e fluente de um defunto autor, visão pessimista em relação aos problemas sociais.
b) Distanciamento do determinismo científico, cultivo do humor e digressões sobre banalidades, visão reformadora das mazelas sociais.
c) Abandono das idealizações românticas, uso de técnicas pouco usuais de narrativa, sugestão implícita de contradições sociais.
d) Crítica do realismo literário, narração iniciada com a morte do narrador-personagem, tematização de conflitos sociais

2) (UNICAMP 2015) Leia o seguinte excerto de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:
“Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.”

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.120.)

Na passagem citada, a substituição da máxima pascalina de que o homem é um caniço pensante pelo enunciado “o homem é uma errata pensante” significa:

a) a realização da contabilidade dos erros acumulados na vida porque, em última instância, não há “edição definitiva”.
b) a tomada de consciência do caráter provisório da existência humana, levando à celebração de cada instante vivido.
c) a tomada de consciência do caráter provisório da existência humana e a percepção de que esta é passível de correção.
d) a ausência de sentido em “cada estação da vida”, já que a morte espera o homem em sua “edição definitiva”.

3) (UFPR 2017 – C. Gerais) Considere o parágrafo abaixo, extraído do conto “D. Paula”, que integra a coletânea Várias Histórias, de Machado de Assis:

“Já se entende que o outro Vasco, o antigo, também foi moço e amou. Amaram-se, fartaram-se um do outro, à sombra do casamento, durante alguns anos, e, como o vento que passa não guarda a palestra dos homens, não há meio de escrever aqui o que então se disse da aventura. A aventura acabou; foi uma sucessão de horas doces e amargas, de delícias, de lágrimas, de cóleras, de arroubos, drogas várias com que encheram a esta senhora a taça das paixões. D. Paula esgotou-a inteira e emborcou-a depois para não mais beber. A saciedade trouxe-lhe a abstinência, e com o tempo foi esta última fase que fez a opinião. Morreu-lhe o marido e foram vindo os anos. D. Paula era agora uma pessoa austera e pia, cheia de prestígio e consideração.”

Sobre Várias Histórias, assinale a alternativa correta.

a) “D. Paula” e “Entre santos” distinguem-se tematicamente dos demais contos da coletânea por tratarem do adultério feminino, antecipando assim o tema do ciúme de maridos enganados, que apareceria no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.
b) O encantamento de um adolescente por D. Severina (no conto “Uns braços”) e a história revelada pela sobrinha à tia (em “D. Paula”) perturbam essas mulheres, por acenderem nelas, respectivamente, o desejo e a lembrança de sua realização.
c) Nos contos “A Cartomante” e “D. Paula”, o narrador onisciente apresenta em detalhes os acontecimentos passados, dando a conhecer os fatos e o julgamento social sobre eles, permitindo que o leitor antecipe os desdobramentos da trama.
d) Os personagens Evaristo (do conto “Mariana”) e D. Paula (do conto homônimo) lembram-se de episódios antigos de suas vidas afetivas. Referindo-se a esses episódios, os contos trazem digressões moralizantes a respeito das virtudes do casamento no século XIX.
e) Nos contos desse livro, a moral cristã do século XIX impele as mulheres a viverem “à sombra do casamento”, isto é, distantes de aventuras extraconjugais, satisfeitas com a vida de prestígio e consideração que o matrimônio lhes assegura.

4) “Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pen­durada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.”

(Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)

Sobre o texto mostrado, pode-se dizer que:

a) o autor faz uma abordagem superficial da situação.
b) o autor preocupa-se com os detalhes, por meio de minuciosa descrição.
c) o autor dá relevância a outras circunstân­cias, negligenciando o foco do assunto.
d) o autor não mostra preocupação com o discer­nimento do leitor, pois apenas sugere situações.
e) contempla a si próprio, num ritual egocêntrico e narcisista.

5)  “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai logo que teve aragem dos quinze contos sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.
— Dessa vez, disse ele, vais para Europa, vais cursar uma Universidade, provavelmente Coimbra, quero-te homem sério e não arruador e não gatuno.
E como eu fizesse um gesto de espanto:
— Gatuno, sim senhor, não é outra coisa um filho que me faz isso.”

(Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas)

De acordo com essa passagem da obra, po­de-se antecipar a visão que Machado de Assis tinha sobre as pessoas e sobre a sociedade. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

a) O amor é fruto de interesse e compõe o pilar das instituições hipócritas.
b) O amor, se sincero, supera todas as barrei­ras, inclusive as financeiras.
c) O caráter autoritarista moldava as relações familiares, principalmente entre pai e filho.
d) Havia medo de que a marginalidade envolvesse os jovens daquela época.
e) O amor era glorificado e apontado como o único caminho para redimir as pessoas.

6) Uma das temáticas das obras machadianas, era a abordagem das relações motivas pelo interesse financeiro. No trecho em destaque, Marcela, que era uma prostituta, amou Brás Cubas enquanto houve o recebimento de recursos financeiros. Além disso, Machado desmascara a hipocrisia dos personagens, dentro de uma sociedade mascarada pelo valores morais de sua época.

A propósito de Dom Casmurro, de Machado de Assis, é correto afirmar:

a) A narrativa de Bento Santiago é comparável a uma acusação: aproveitando sua formação jurídica, o narrador pretende configurar a culpa de Capitu.
b) O artifício narrativo usado é a forma de diário, de modo que o leitor receba as informações do narrador à medida que elas acontecem, mantendo-se assim a tensão.
c) Elegendo a temática do adultério, o autor resgata o romantismo de seus primeiros romances, com personagens idealizadas entregues à paixão amorosa.
d) O espaço geográfico e social representado é situado em uma província do Império, buscando demonstrar que as mazelas sociais não são prerrogativa da Corte.
e) Bentinho desejava a morte de Escobar (até tentou envenená-lo uma vez), a ponto de se sentir culpado quando o ex amigo morreu afogado.

Texto para para as questões 7 e 8.
“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto que o uso vulgar seja co­meçar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; o segundo é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.”

(Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)

7) Essa é a abertura do famoso romance de Machado de Assis. Dentro desse contexto, já dá para se ver o tipo de narrativa que será explorada. Assinale a alternativa correta a esse respeito.

a) A narrativa decorre de forma cronologi­camente correta, de acordo com a passagem do tempo: infância, juventude, maturidade e velhice.
b) A linearidade das ações apresenta cenas de suspense, dado o comportamento inusi­tado dos personagens.
c) Não há como prever o final da narrati­va, já que seu enredo é, propositadamente, complicado.
d) A ação terá, como cenário, os diversos centros cosmopolitas do mundo.
e) O autor usa o recurso do flashback devi­do a sua intenção de iniciar o romance pelo “fim”.

8) Em relação à questão anterior, infere-se que a linguagem dispõe de um recurso enriquecedor: a disposição das palavras no espaço frasal. Sendo assim, que tipo de lei­tura pode-se fazer dessas duas expressões: “autor defunto” e “defunto autor”?

a) A colocação da palavra defunto após a pa­lavra autor leva-nos a pensar que o segundo elemento está em fase final de carreira.
b) Defunto autor remete à ideia de que a pessoa irá escrever suas memórias dentro de um cemitério.
c) Ambas as expressões transmitem a mes­ma ideia, com iguais valores semânticos.
d) A expressão defunto autor aparece de forma metaforizada, original, privilegiando uma nova forma de narração autobiográfica.
e) Ambas as construções não têm expressão na obra biográfica de Machado de Assis.

9) (PUC RS/2017) Leia a passagem a seguir, retirada de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

“– “Morto! morto!” dizia consigo.

E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, – a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil… Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.

Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.”

Com base na obra de Machado de Assis, preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

(   )  Tanto Dom Casmurro quanto Memórias Póstumas de Brás Cubas têm em comum o fato de serem livros narrados em primeira pessoa. Além disso, ambos os personagens pertencem à elite carioca do século XIX.
(   )  O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas encerra-se com um capítulo todo feito de negativas, no qual o narrador enumera uma série de faltas de que sofreu em vida, entre elas o fato de não ter tido filhos e, assim, não ter transmitido a ninguém a herança de nossa miséria.
(   )  Há um consenso entre os críticos quanto a Dom Casmurro ser um romance baseado nas memórias sinceras de um homem traído.
(   )  Machado atuou em diversas áreas das Letras brasileiras. O autor escreveu romances, contos, crítica literária; porém, deixou de lado o teatro e a poesia.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a

a)  V – F – F – V
b) V – V – F – F
c) F – V – V – F
d) V – V – V – F
e) F – F – V – V

10) (Fac. Direito de Franca SP/2016) As mulheres na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, não aparecem sob a forma idealizada, castas e ingênuas, mas muitas vezes, ambiciosas, sedutoras, adúlteras e até mesmo torpes. Sarcasticamente são caracterizadas pelo narrador, com representações florais, que, em alguns casos, mais ofendem que exaltam. Assim, identifique, abaixo, as correspondências que não se comprovam.

a) Eugênia, a flor da moita, cujo apelido se deve ao fato de ser filha espúria, concebida em situação clandestina, a partir de um beijo furtivo entre D. Eusébia e Dr. Vilaça.
b) Venância, o lírio do vale, era filha do Cotrim e sobrinha de Brás Cubas, e o designativo de seu nome remete à flor das damas de seu tempo.
c) Eulália, Nhã-Loló, a flor do pântano, assim referida pelo ambiente social em que vivia, de família pobre e de costumes e afinidades sociais duvidosos, cujo pai era viciado em brigas de galo.
d) Marcela, a flor das graças, pela beleza e sedução com que envolveu o narrador e pela paixão verdadeiramente sempre devotada a ele.

Resoluções

1) Alternativa C.

Machado de Assis faz parte da escola literária Realismo, que era oposição das idealizações românticas, e Memórias Póstumas de Brás Cubas é o romance que inaugurou o Realismo no Brasil, em 1881.. Se no romantismo havia regras de narração e um ideal, Machado quebra esse paradigma em Memórias póstumas de Brás Cubas, pois o narrador é um homem morto e o seu estilo de narrar permite digressões, não linearidade, inclusão do leitor e outras características. Esse homem morto vai narrar as mazelas da sociedade em que viveu, demonstrando contradições sociais, por exemplo entre Brás Cubas, de classe alta, e Prudêncio e D. Plácida, desprestigiados economicamente.

2) Alternativa C.

Ao substituir a máxima pascalina, o narrador demonstra ter tomado consciência de que “cada estação da vida é uma edição”, isto é, as etapas são todas provisórias e que poder corrigir as edições é demonstrar que a existência humana é passível de correção.

3) Alternativa B.

O trecho narra a paixão vivida por D. Paula e no conto Uns braços D. Severina conta sobre o encantamento de um adolescente por ela. Em D. Paula, temos a lembrança da realização e em D. Severina o desejo de realização.

4) Alternativa C.

O narrador dessa obra é conhecido por suas inúmeras digressões e é o que ocorre no trecho do enunciado: ele faz menção a outras circunstâncias e negligencia o foco.

5) Alternativa A.

O namoro do protagonista com Marcela é baseado em interesses econômicos, em que ocorre a defesa cínica do dinheiro como ferramenta para a conquista afetiva. Por essa relação há uma crítica do escritor perante a hipocrisia dos personagens, que vive em uma sociedade mascarada pelos valores morais de sua época.

6) Alternativa A.

Bentinho se formou em Direito depois de sair do seminário e a narração é feita pelo próprio Bentinho, em primeira pessoa. O fato de só ser apresentado ao leitor um único ponto de vista o persuade a acreditar no adultério de Capitu.

7) Alternativa E.

Nas obras machadianas é comum encontrarmos enredos não-lineares, cheios de idas e vindas. Pelo trecho do enunciado, vemos que o narrador opta iniciar pelo fim, após ter morrido, isto é, ele é um defunto (morto) escrevendo.

8) Alternativa D.

Ao diferenciar “autor defunto” de “defunto autor” o narrador altera a sequência das palavras e proporciona novo significado: no primeiro caso, o autor já morreu, no segundo, é um falecido que conta a história da sua própria vida.

9) Alternativa B.

Não há consenso entre os críticos quanto a sinceridade da narração em Dom Casmurro, já que o narrador é o próprio personagem, supostamente, traído. Só temos uma visão da história.

Machado não deixou de lado teatro e poesia, ao contrário, teve destaque nessas áreas de produção também.

10) Alternativa E.

A correspondência que não se comprova é a que se refere à Marcela, já que a relação dela com o protagonista foi não verdadeira e nem de devoção, ela permanece com ele enquanto ele lhe é útil, isto é, enquanto lhe oferece dinheiro.