Português na UECE

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Lista de exercícios: Língua Portuguesa na UECE

TEXTO 1
A Banda

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
[…]
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
[…]
O velho fraco se esqueceu do cansaço e
Pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e
Dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e
Insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
E em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
[…]

HOLLANDA, Francisco Buarque de; RUSSEL, Bob. A banda. Rio de Janeiro: RGE. 1966. Disponível em: https://www.vagalume.com.br/chico-buarque/a-banda.html.
Acessado em 27 de abril de 2019.

1) Sobre o texto 1, uma canção de Chico Buarquede Hollanda e Bob Russel, é INCORRETO afirmar que:
A) relata flagrantes do cotidiano, ao apresentar magia e delicadeza através da letra de uma canção que envolve todos em um instante fugaz de alegria.
B) se trata de um texto predominantemente narrativo, pois nele se identificam algumas categorias da narrativa, tais como foco narrativo, personagens, tempo, espaço e ação.
C) os personagens demonstram imobilismo, uma vez que não são observáveis as mudanças de atitudes com a passagem da banda.
D) o personagem principal caracteriza-se como personagem-narrador, pois se apresenta, no texto, como aquele que fornece as informações e vivencia ações na narrativa.

2) Sobre as funções da linguagem do texto 1, é correto afirmar que predomina:
A) a função referencial, porque são dadas as informações sobre os personagens do texto, mesmo que esses sejam ficcionais.
B) a função poética, pois há ênfase na elaboração estética do texto, havendo um jogo entre as palavras e as possibilidades de significação.
C) a função conativa, porque o texto é um chamado à participação de todos para verem a banda.
D) a função fática, porque a fugacidade do momento induz os envolvidos a apenas estabelecerem contato entre si.

3) Se compreendermos o texto 1 como um paradigma da representação do mundo contemporâneo, é correto afirmar que:
A) há a representação das relações humanas vazias, da incomunicabilidade, da solidão e do isolamento, que a passagem da banda vai desfazer, por seu caráter nostálgico e por ser a música uma linguagem universal.
B) o tempo e os espaços míticos evocados são possíveis remissões aos acontecimentos anteriores à Revolução Industrial e representam a agitação que se estende à contemporaneidade.
C) representa a conformação com as questões políticas que se encontravam em destaque na época, estendendo-se até a contemporaneidade, porque a canção metaforiza um permanente estado de aceitação.
D) é uma notícia que revela as mudanças ocorridas na sociedade, cuja metáfora da banda realça as formas de comunicação que atuam em conjunto para a necessidade de espetacularização marcada pela incessante exposição e bombardeio de informações.

TEXTO 2

Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt

O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha já foi diagnosticado com dengue duas vezes. Nenhuma surpresa. O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul vive no Brasil, país castigado pela doença nas últimas três décadas e por outras também transmitidas pelo Aedes aegypt. Essas epidemias, explica o pesquisador nesta entrevista, devem continuar décadas adiante: “Ainda utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz”. Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma trégua. “Temos observado que, em algumas localidades do Brasil, o padrão de ocorrência da dengue tem se mantido estável mesmo fora do verão. Isso aponta o óbvio: a população e as autoridades sanitárias têm de atuar durante todo o ano, e não somente no verão. Infelizmente, isso não ocorre em um padrão homogêneo”, ensina Cunha, que comemora, no entanto, abordagens promissoras para o controle do mosquito e vê uma melhora da vigilância nas últimas décadas.
Ciência Hoje: O Brasil sofreu recentemente com grandes surtos de dengue, zika e febre amarela. Devemos esperar novos surtos em breve? O que dizem os dados epidemiológicos?
Rivaldo Venâncio da Cunha: As doenças transmitidas pelo Aedes continuarão ocorrendo nos próximos 20 ou 30 anos. Por que continuarão ocorrendo? Porque utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz e, depois, com Clementino Fraga e outros. Se não houver uma nova abordagem para controle do vetor, continuaremos tendo epidemias, porque, infelizmente, as questões estruturais da sociedade permanecem praticamente inalteradas. Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social, que é fruto de séculos, criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveis, onde a coleta do lixo, quando existe, é feita de forma inadequada, e nas quais o fornecimento de água é irregular. São lugares onde o Estado inexiste. Há comunidades em que policiais não podem entrar a qualquer hora, imagine um agente de controle de vetores. Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos.

CUNHA, Rivaldo Venâncio da. Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt. Ciência Hoje, São Paulo, n.353, abr. 2019. Entrevista concedida a Valquíria Daher. Disponível em: http://cienciahoje.org.br/artigo/em-busca-de-novasarmas-contra-o-aedes-aegypt/. Acessado em 27 de abril de 2019.

4) A entrevista marca-se como uma das formas de obtenção de fontes para notícias e reportagens a partir dos dados e argumentos expostos pelo(a) entrevistado(a). Em relação ao texto 2, é correto afirmar que a tese expressa pelo infectologista sobre os motivos da permanência das doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypt corresponde:
A) ao êxito do modelo de controle do mosquito que se encontra com 110 anos de utilização.
B) à atuação da população e das autoridades sanitárias que ocorre durante todo o ano e não somente no verão, quando o mosquito está em evidência.
C) à inexistência de uma nova abordagem para controle do mosquito que considere a complexidade urbana e seus problemas.
D) à inoperância do Estado em muitos lugares, onde os policiais, que são agentes de saúde, não podem entrar a qualquer hora.

5) A intertextualidade é um dos fatores responsáveis pela construção de sentido. Ela é percebida quando o leitor recupera, no texto em tela, informações de outros textos que se encontram explícitas ou inferidas. Sobre essa questão, considere as seguintes afirmativas:
I. “Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma trégua” (linhas 52-54).
II. “Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social […] criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveis […]” (linhas 82- 86).
III. “Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos” (linhas 92-94).

É correto afirmar que há intertextualidade em
A) I e II apenas.
B) I e III apenas.
C) II e III apenas.
D) I, II e III.

6) Um texto deve manter seus elementos ligados entre si como forma de assegurar sua coesão. Sendo assim, existem várias formas de manutenção da coesão textual. Considerando esse aspecto, é correto afirmar, sobre a entrevista (texto 2), que:
A) o termo “doença” (linha 45) foi utilizado com o intuito de não repetir “dengue” (linha 39). Neste caso, “doença” é um hipônimo de “dengue”.
B) os termos “infectologista” (linha 38), “coordenador” (linha 40), “professor” (linha 43) e “pesquisador” (linha 48) são utilizados para referir-se ao entrevistado. Essa técnica é uma forma de coesão sequencial, denominada de repetição de palavras.
C) as expressões “as questões estruturais da sociedade” (linhas 80-81) e “esse apartheid social” (linha 84) mantêm uma relação de antonímia na entrevista.
D) no excerto […]ensina Cunha, que comemora, no entanto, abordagens promissoras para o controle do mosquito e vê uma melhora da vigilância nas últimas décadas” (linhas 61-65), aparecem casos de elipse.

7) Quanto à utilização de letras maiúsculas no texto 2, atente para as seguintes assertivas:
I. A expressão “Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz” (linhas 41-42) é utilizada com letras maiúsculas para realçar o nome da instituição em questão.
II. A palavra “Medicina” (linha 43) é grafada, no texto 2, com letra maiúscula, porque o autor considera esse termo como uma área do saber, diferenciando-a das demais áreas.
III. O termo “Estado” (linha 89) aparece, no texto 2, com letra maiúscula, porque significa uma entidade de direito público administrativo que congrega várias instâncias do poder público.

Está correto o que se afirma em
A) I e II apenas.
B) I e III apenas.
C) II e III apenas.
D) I, II e III.

TEXTO 3

No Mundo das Letras

Vem à livraria nas horas de maior movimento, mas isso, já se sabe, é de propósito: facilita-lhe o trabalho. Rouba livros. Faz isso há muitos anos, desde a infância, praticamente. Começou roubando um texto escolar que precisava para o colégio: foi tão fácil que gostou; e passou a roubar romances de aventura, livros de ficção científica, textos sobre arte, política, ciência, economia. Aperfeiçoou tanto a técnica que chegava a furtar quatro, cinco livros de uma vez. Roubou livros em todas as cidades por onde passou. Em Londres, uma vez, quase o pegaram; um incidente que recorda com divertida emoção.
No início, lia os livros que roubava. Depois, a leitura deixou de lhe interessar. A coisa era roubar por roubar, por amor à arte; dava os livros de presente ou simplesmente os jogava fora. Mas cada vez tinha menos tempo para ir às livrarias; os negócios o absorviam demais. Além disso, não podia, como empresário, correr o risco de um flagrante. Um problema – que ele resolveu como resolve todos os problemas, com argúcia, com arrojo, com imaginação. Zás! Acabou de surrupiar um. Nada de espetacular nessa operação: simplesmente pegou um pequeno livro e o enfiou no bolso. Olha para os lados; aparentemente ninguém notou nada. Cumprimenta-me e se vai. Um minuto depois retorna. Como é que me saí, pergunta, não sem ansiedade. Perfeito, respondo, e ele sorri, agradecido. O que me deixa satisfeito; elogiá-lo é não apenas um ato de compaixão, é também uma medida de prudência. Afinal, ele é o dono da livraria.

SCLIAR, Moacyr. No Mundo das Letras. In: SCLIAR, Moacyr; FONSECA, Rubem; MIRANDA, Ana. Pipocas. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

8) Moacyr Scliar, autor da crônica No Mundo das Letras, é gaúcho e ganhou alguns prêmios, tais como Prêmio Jabuti e Prêmio José Lins do Rego. Atente para as seguintes afirmações sobre o autor:
I. O estilo de Moacyr Scliar é leve e irônico.
II. O autor faz parte da literatura contemporânea.
III. Os textos de Moacyr Scliar são diretos e com escrita simples.

Está correto o que se afirma em
A) I e II apenas.
B) I, II e III.
C) I e III apenas.
D) II e III apenas.

9) Uma forma de retomar fragmentos, ao longo do texto, é usar expressões que apresentam uma paráfrase para resumir o que se precede ou sucede. Considerando esse aspecto, no trecho “[…] um incidente que recorda com divertida emoção” (linhas 108-109), a expressão em negrito refere-se ao
A) roubo de livros desde a infância.
B) roubo de um texto escolar para o colégio.
C) furto de quatro, cinco livros de uma vez.
D) fato de o personagem principal quase ter sido apreendido.

TEXTO 4

Não Espere Pelo Fim

Foi com palavras aprazíveis e um ingênuo sorriso que o homem de rosto enrugado e cabelos acinzentados dirigiu-se à sua ranzinza colega de abrigo:
– A vida não acabou. Não é chegada a hora de postar-se diante do túmulo como se a morte estivesse à espreita. É tempo de se renovar, tomar novas escolhas e trilhar por
novos caminhos. Alimente os sonhos! Seja jovem novamente!
Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada paixão entre os dois. Aquele carinho que Emanuel sempre sentira por Maria das Dores enfim foi retribuído.
Quem disse que os velhos não podem se apaixonar?
Maldito preconceito que cria raízes profundas, inclusive na alma dos segregados!
E, assim, tão logo o tempo passou. Anos de risos fáceis.
No entanto, não foi com lágrimas de arrependimento que Maria fitou o epitáfio de Emanuel, mas sim com olhos aquosos de saudade e uma profunda paz em seu coração renovado.

JONES, Sebastião. Não Espere Pelo Fim. Disponível em: http://autoressaconcursosliterarios.blogspot.com/2013/05/os-20-minicontos-classificados.html. [online]. 2013. Acessado em 26 de abril de 2019.

10) O texto 4, o miniconto do pseudônimo Sebastião Jones, intitulado Não Espere Pelo Fim, tem como propósito principal
A) mostrar como é a velhice nos abrigos.
B) revelar a paixão entre velhos.
C) expressar a tristeza de Maria.
D) narrar a velhice e a morte de Emanuel. 

11) Com base no texto 4, é INCORRETO afirmar que
A) Emanuel morreu deixando saudade.
B) Maria e Emanuel se apaixonaram.
C) a paixão de Maria e Emanuel venceu o preconceito.
D) Maria não chorou a morte de Emanuel.

12) Dentre as expressões em negrito nas opções abaixo, assinale a que NÃO tem a função sintática de sujeito.
A) “[…] o homem de rosto enrugado e cabelos acinzentados dirigiu-se à sua ranzinza colega de abrigo” (linhas 134-136).
B) “Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada paixão entre os dois” (linhas 143-144).
C) “E, assim, tão logo o tempo passou” (linha 151).
D) “Aquele carinho que Emanuel sempre sentira por Maria das Dores enfim foi retribuído” (linhas 144- 146).

 

Resoluções

1) Alternativa C.
O que é observado é a mobilidade dos personagens quando a banda passa. Vejamos: “O homem sério que contava dinheiro parou” e “A moça triste que vivia fechada se abriu”.

2) Alternativa B.
A função predominante é a poética porque os autores apresentam preocupação estética quanto a composição dos versos e a construção da mensagem.

3) Alternativa A.
Os elementos linguísticos da canção adquirem novos significados quando recepcionados pelo leitor, sendo interpretados como representação da sociedade atual. Assim, a incomunicabilidade gera relações humanas vazias, repletas de solidão, as quais poderiam se alterar com a passagem da banda, em “A namorada que contava as estrelas parou” há uma atitude de esperança relatada.

4) Alternativa C.
O entrevistado acredita que as doenças continuam e persistem por não haver um controle do vetor, que é o mosquito. Nenhuma abordagem leva em conta a complexidade urbana.

5) Alternativa A.
A expressão “águas de março” está relacionada à canção de Tom Jobin, que tem o mesmo nome e “apartheid social” está relacionado a um sistema de segregação da população negra na África do Sul.

6) Alternativa D.
No trecho há casos elipses, como a ausência do nome do mosquito após citá-lo e a omissão do nome do entrevistado ou do pronome pessoal do caso reto antes da forma verbal “vê”.

7) Alternativa C.
“Medicina” está grafada com letra maiúscula porque o autor considera o termo como uma área do saber e “Estado” está com letra maiúscula por significar a entidade de direito público administrativo.

8) Alternativa B.
Moacyr Scliar é contemporâneo e traz em seus textos leveza e vocabulário simples, o que os tornam acessíveis.

9) Alternativa D.
O termo retoma o acontecimento de o personagem ser flagrado roubando livros em Londres. Essa recuperação é feita pelo termo “incidente”.

10) Alternativa B.
O miniconto está celebrando o amor independente da idade, demonstrando também que a velhice não significa o fim, é possível se apaixonar dessa etapa da vida. Ao contar um amor que nasceu entre um casal de velhos, o que temos é saudade e paz de tê-lo vivido.

11) Alternativa D.
Maria chora pela sua perda, vejamos:  “No entanto, não foi com lágrimas de arrependimento que Maria fitou o epitáfio de Emanuel, mas sim com olhos aquosos de saudade e uma profunda paz em seu coração renovado.”

12) Alternativa A.
A função sintática de  “à sua ranzinza colega de abrigo” não é de sujeito, mas sim de objeto indireto, pois é complemento do verbo “dirigiu-se”.